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Dono da Havan critica ação do MP que pode retirar réplica da Estátua da Liberdade em São Luís

Dono da Havan critica ação do MP que pode retirar réplica da Estátua da Liberdade em São Luís

O empresário Luciano Hang, proprietário da rede Havan, se manifestou publicamente nesta quarta-feira (15) sobre a ação movida pelo Ministério Público do Maranhão que pede a regularização ou possível retirada da réplica da Estátua da Liberdade instalada em frente à loja da empresa, em São Luís.

Em vídeo divulgado nas redes sociais, o empresário criticou duramente a iniciativa do órgão ministerial e questionou as prioridades em relação aos problemas urbanos da capital maranhense.

“É o fim da picada. Olha só onde chegamos. Acabo de ver a notícia de que o Ministério Público do Maranhão está entrando com uma ação para retirar a nossa estátua da liberdade de São Luís.”

Na sequência, Hang comparou a medida com outras questões estruturais da cidade, apontando o estado de conservação do centro histórico.

“Enquanto isso, o centro histórico da cidade está caindo aos pedaços e nada é feito. Por que não se preocupam com as pessoas que realmente degradam o centro histórico? Jogam lixo nas ruas, descartam o entulho nas calçadas e picham a cidade.”

O empresário também responsabilizou atitudes individuais pela degradação urbana e reforçou sua crítica à atuação do poder público.

“São essas atitudes que poluem desrespeito e porcaem o São Luís.”

Apesar da polêmica, Hang destacou a recepção positiva que afirma ter recebido no estado e reforçou o compromisso de continuar investindo na região.

“Graças a Deus, fomos muito bem recebidos pelo povo do Maranhão. E a nossa loja em São Luís é uma das que mais vende no Brasil. Vou continuar investindo e abrindo lojas nesse Estado que me acolheu com tanto carinho.”

Ao final, ele questionou diretamente o Ministério Público sobre a relevância da ação.

“Ministério Público, vocês têm certeza de que a nossa Estado da Liberdade é o verdadeiro problema de São Luís? Essa é a pergunta que eu deixo para você. O que acha dessa notícia?”

O CASO

O Ministério Público do Maranhão ingressou no dia 3 de abril com uma Ação Civil Pública contra a Havan e a Prefeitura de São Luís, apontando supostas irregularidades na instalação da estrutura, localizada na Avenida Daniel de La Touche.

A ação é baseada no Inquérito Civil nº 09/2022 e sustenta que a réplica da Estátua da Liberdade, com cerca de 35 metros de altura, configura poluição visual e estaria em desacordo com normas urbanísticas e ambientais.

Segundo o MP, o monumento se enquadra como um “engenho publicitário extraordinário” e não possui o licenciamento específico exigido.

O promotor de Justiça Cláudio Rebêlo, da 2ª Promotoria de Defesa do Meio Ambiente de São Luís, informou que o caso teve início após denúncia apresentada em agosto de 2021 pelo coletivo #AquiNão.

Durante a investigação, a Havan argumentou que a estrutura integra a identidade visual da marca, está instalada em área privada e não causaria impacto negativo à paisagem urbana, além de possuir alvará de construção regular.

Entretanto, o Ministério Público contestou a justificativa com base em parecer técnico elaborado por especialistas do Departamento de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Estadual do Maranhão (Uema). O estudo concluiu que a estátua funciona como um elemento publicitário fixo de grande porte, caracterizado como um totem com finalidade comercial.

De acordo com o laudo, a instalação exigiria licenciamento específico, distinto do alvará de construção do empreendimento, além de análise técnica de impacto urbano, conforme previsto no Decreto Municipal nº 25.300/2003

Para apurar a atuação do poder público, o MP solicitou esclarecimentos à Secretaria Municipal de Urbanismo. Em resposta enviada em abril de 2023, o órgão informou que a empresa foi notificada para regularizar a situação, mas não adotou providências.

A Blitz Urbana também relatou que, desde 2023, foram realizadas três notificações e aplicada uma autuação em 2025, sem que houvesse regularização.

Diante da ausência de adequação por parte da empresa e da suposta inércia do Município na fiscalização, o Ministério Público decidiu recorrer à Justiça.

Na ação, o órgão pede, em caráter liminar, que a Havan inicie, no prazo de 30 dias úteis, o processo de licenciamento específico. Também solicita que o Município analise o pedido com prioridade e conclua o processo administrativo em até 90 dias, sob pena de multa diária.

Ao final, caso a licença não seja concedida ou a regularização não ocorra, o MP requer a retirada da estátua, além da condenação da empresa e do Município ao pagamento de indenização por danos morais coletivos, com recursos destinados ao Fundo de Defesa de Direitos Difusos.

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