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Militares citados em investigação contra Camarão já foram alvo de racismo quando atuavam como seguranças de Dino

Militares citados em investigação contra Camarão já foram alvo de racismo quando atuavam como seguranças de Dino

Dois policiais militares do Maranhão citados em investigação do Ministério Público estadual por suposta atuação como operadores financeiros do vice-governador Felipe Costa Camarão também estiveram no centro de um episódio de cunho nacional: um incidente em um shopping de Brasília envolvendo ofensas racistas contra os dois militares, à época tratados pela imprensa brasiliense como seguranças do hoje ministro do Supremo Tribunal Federal, Flávio Dino.

Felipe Camarão e Flávio Dino

Os nomes dos PMs Thiago Brasil Arruda e Alexandre Guimarães Nascimento aparecem tanto no requerimento do Ministério Público do Maranhão (MPMA), que pede o afastamento cautelar de Felipe Camarão, quanto na condenação de uma mulher que os insultou com teor racista durante a atuação como equipe de segurança de Dino, que presenciou o episódio.

ATUAÇÃO NO CASO FLÁVIO DINO

Em dezembro de 2022, conforme divulgou o jornal Correio Brasiliense, os dois policiais integravam a equipe de segurança de Flávio Dino, à época integrante do governo federal como ministro da Justiça e Segurança Pública. Durante a ocorrência, uma mulher abordou o ministro com xingamentos e, ao receber voz de prisão, passou a ofender diretamente os agentes.

Segundo a decisão judicial, ela chamou os policiais de “macacos” e fez comentários pejorativos ao saber que eram do Maranhão. A ré foi condenada ao pagamento de indenização por danos morais no valor de R$ 2.840 para cada um dos militares, além de prestação de serviços comunitários.

OS MESMOS NOMES NO NÚCLEO INVESTIGADO PELO MP

Anos depois, os mesmos policiais surgem como peças-chave em investigação que apura possíveis crimes de lavagem de dinheiro e uso da estrutura estatal para movimentações financeiras atípicas detectadas pelo COAF.

De acordo com o documento do MPMA, Thiago Brasil Arruda e Alexandre Guimarães Nascimento são apontados como operadores financeiros de um núcleo ligado ao vice-governador Felipe Costa Camarão.

A investigação indica que ambos, lotados no Gabinete Militar, teriam utilizado contas bancárias próprias para:

– Receber valores de origem não esclarecida

– Fragmentar quantias para dificultar rastreamento

– Repassar recursos ao entorno pessoal e político de Camarão

MOVIMENTAÇÕES MILIONÁRIAS E E INCOMPATIBILIDADE FINANCEIRA

No caso de Thiago Arruda, o relatório aponta movimentação superior a R$ 9,6 milhões, apesar de rendimentos formais muito inferiores. Parte desses valores teria sido direcionada ao próprio vice-governador e a pessoas de seu círculo próximo.

Já Alexandre Guimarães, segundo o MP, movimentou mais de R$ 10 milhões em contas bancárias, com indícios de uso de familiares e empresas para circulação de recursos.

Os dados reforçam, segundo o órgão ministerial, a existência de uma “engrenagem financeira” estruturada para ocultação e dispersão de valores.

Diante desse cenário, o Ministério Público requereu o afastamento cautelar de Felipe Camarão do cargo, alegando risco à investigação, possibilidade de interferência na produção de provas e continuidade das práticas investigadas.

O pedido também inclui os dois policiais, apontados como integrantes do núcleo operacional da suposta rede.

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