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Artigo de Elio Gaspari diz que decisão de Moraes contra blogueiro pode ameaçar sigilo de fontes

Artigo de Elio Gaspari diz que decisão de Moraes contra blogueiro pode ameaçar sigilo de fontes

O jornalista e escritor Elio Gaspari afirma que a decisão do ministro Alexandre de Moraes de autorizar busca e apreensão contra o jornalista e blogueiro maranhense Luís Pablo Conceição Almeida pode criar um precedente preocupante para o exercício do jornalismo no Brasil.

Em artigo publicado no jornal O Globo, Gaspari avalia que a medida ameaça o direito constitucional de preservação das fontes, uma vez que a apreensão de celulares, computadores e dados em nuvem pode expor informações confidenciais usadas em reportagens.

O texto também comenta episódios da política nacional e internacional, incluindo menções a Flávio Dino, Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump.

VEJA O ARTIGO NA ÍNTEGRA DE ELIO GASPARI PARA O GLOBO:

O ministro Alexandre de Moraes é experiente. Ele determinou uma operação de busca e apreensão contra o jornalista maranhense Luís Pablo Conceição Almeida. O ministro autorizou a apreensão de celulares, computadores, tablets, documentos e outros dispositivos eletrônicos que possam auxiliar numa investigação sigilosa.

Investigação de que? De um eventual uso indevido de um carro oficial pelo ministro Flávio Dino. Fica combinado assim.

Ex-procurador e ex-secretário de Segurança de São Paulo, Moraes pode estar golpeando o direito de todos os jornalistas de preservar a identidade de suas fontes. Nesses equipamentos quase todos os jornalistas guardam documentos, transcrições de conversas e até mesmo pistas para eventuais reportagens. São acervos que, em alguns casos, armazenam mais informações que um mês de grampos.

À primeira vista, o caso envolve um jornalista maranhense, que escreveu contra Flávio Dino, seu colega de Supremo. Seria um caso despiciendo.

À segunda vista, mesmo que essa não fosse sua intenção, atacou o exercício da profissão de todos os jornalistas. Atento aos avanços da tecnologia, Moraes quer apreender até mesmo dados guardados em serviços de armazenamento em nuvem.

Moraes cria um precedente: busca nos equipamentos de Luís Pablo Conceição Almeida a história de um carro oficial que teria sido usado por Flávio Dino. A pontaria desse tiro pode ir mais longe.

A RENÚNCIA DE CLÁUDIO CASTRO

Se o governador do Rio, Cláudio Castro, renunciar para tentar preservar sua elegibilidade, o tempo terá mostrado o preço da eleição de Wilson Witzel, na onda antipetista de 2018 e da reeleição de Castro.

Witzel teve trabalho para conseguir um vice e contentou-se com Cláudio Castro.

Deposto em 2020, entregou o cargo a Castro, que viria a se reeleger em 2022, com quase 60% dos votos.

OS MIMOS DE VORCARO

O banqueiro Daniel Vorcaro tinha um gosto pelo espetáculo e um agudo sentido de oportunidade. Em setembro de 2023, quando ele começou a brilhar no mercado, torrou R$ 363 milhões com uma festa em Taormina, na Itália.

Em dezembro Vorcaro lançou o nome do ministro Alexandre de Moraes em sua agenda. Meses depois o Master contratou a banca Barci de Moraes, da mulher e dos filhos do ministro. A essa época o Banco Central do Brasil começava a prestar atenção nos números do Master.

Em abril, Vorcaro co-patrocinou uma farofa em Londres enfeitada, entre outros, por Alexandre de Moraes e Dias Toffoli. Num ágape lateral, bancou um “serviço de degustação Macallan no George Club” que lhe custou R$ 3,3 milhões.

Em setembro de 2024, a Polícia Federal passou a investigar o Master. Em novembro o Banco Central do Brasil deu seis meses para que o Master acertasse suas contas.

Em dezembro, Vorcaro conseguiu que o ex-ministro Guido Mantega lhe abrisse a porta do gabinete de Luiz Inácio Lula da Silva.

Não adiantou, em novembro de 2025, depois de vários ultimatos, o Banco Central do Brasil liquidou o Master.

LULA SUPERSTAR

Na semana passada Luiz Inácio Lula da Silva não foi à posse do novo presidente do Chile, o direitista José Antonio Kast, que havia convidado Flávio Bolsonaro para a cerimônia.

Tudo bem, Lula Superstar telefonou para o presidente Gustavo Petro, da Colômbia, e para Claudia Sheinbaum, do México, porque Donald Trump quer classificar o Primeiro Comando da Capital e o Comando Vermelho como organizações terroristas, coisa que não são. Alta diplomacia.

Lula poderia ter ligado também para o prefeito Eduardo Paes. A Polícia Federal acabava de prender o vereador Salvino Oliveira (PSD), seu ex-secretário da Juventude. O doutor é acusado de uma conexão eleitoral com o traficante Edgar Alves de Andrade, do Doca, um dos chefes do Comando Vermelho no Rio. Em tese, Paes é um aliado de Lula.

Outro assunto interessante para a conversa com Paes seria a prisão de 15 PMs do Rio que integravam a equipe de segurança do bicheiro Rogério Andrade.

Em outubro, Lula terá o voto dos colombianos e mexicanos preocupados com a segurança pública.

OS VOTOS DO RIO

Quem conhece a política do Rio teme que, na reta final da campanha, Eduardo Paes se afaste de Luiz Inácio Lula da Silva, aproximando-se de Flávio Bolsonaro.

A FONTE DA FORTUNA

Enquanto a revista Forbes colocava o brasileiro Eduardo Saverin no topo da lista de bilionários brasileiros, com US$ 35,9 bilhões, soube-se que Mark Zuckerberg está de olho numa casa de US$ 170 milhões.

Ela fica em Miami, tem nove suítes, 11 banheiros e quatro lavabos em 7,3 mil metros quadrados de terreno.

A casa ainda está em obras. Em dezembro passado, o dono da casa pedia US$ 200 milhões.

Em 2004, Saverin era um colega de turma de Zuckerberg em Universidade Harvard e acreditou na ideia de criar o Facebook (atual Meta). De lá para cá, os dois administraram seus patrimônios com rara competência. Desde 2009, ele vive em Singapura.

VAGAS NO STF

Pelo calendário gregoriano, o próximo presidente da República nomeará pelo menos três novos ministros para o Supremo Tribunal Federal.

A aposentadoria dos ministros do STF é compulsória ao completar 75 anos, conforme a “PEC da Bengala” (2015). A próxima vaga principal é de Luiz Fux (2028), seguida por Cármen Lúcia (2029) e Gilmar Mendes (2030).

Se a bandeira do impedimento de algum ministro prosperar, as vagas serão quatro ou cinco.

RENDIÇÃO INCONDICIONAL

Nenhum americano chegou à Casa Branca com um grau de ignorância da História dos Estados Unidos comparável à de Donald Trump, quando ele disse que os ataques ao Irã continuarão até que seu governo ofereça uma “rendição incondicional”.

Ele ouviu o galo cantar, mas não sabia onde. Não há registro desse tipo de rendição sem ocupação territorial. Trump gostou da expressão e apropriou-se dela.

Rendições incondicionais ocorreram em 1945 com a Alemanha e o Japão, que nem incondicional foi, pois o imperador Hirohito continuou no trono.

A expressão popularizou o general Ulysses S. Grant, comandante das tropas do Norte durante a Guerra Civil Americana. Em 1862 ao atacar o forte Donelsen, ele exigiu uma “rendição incondicional e imediata”. Essa foi a primeira grande vitória do Norte e fez 12 mil prisioneiros.

Grant, um sujeito que havia fracassado em tudo na vida, passou a ser conhecido como Unconditional Surrender Grant.

Acabou na Casa Branca e fez um governo desastroso.

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